terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Uma xícara de café


Aprecio gole a gole uma xícara de café.
Perco-me em pensamentos, olhando para o vago.
Meu corpo parece retorcido no meio de um ritual na sala vazia
Penso em certas dúvidas, escolhas certas,
Em certas tristezas, pessoas que se foram hoje, quase certas.
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Acordo de um transe de dor e saudade
E me pergunto o que estava fazendo ali.
Tomo outro gole e volto a olhar para o nada.
Parece tão apetitosa aquela escuridão o fim do corredor da vida
Parecem tão dóceis àqueles monstros mentais que se formam no embaço da minha visão embaçada por lagrimas as quais fazem lembrar-me de coisas monstruosas e dóceis...
O barulho do relógio lembra a hora de enxugar as lagrimas que molham a tolha de mesa.
O barulho do caminhão que passa e avisa que cada um tem seu momento e que a vida continua...
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Ponho a mão sobre xícara e não sinto mais a quentura.
Caio a pensar novamente na realidade,
E sinto que o tempo está passando e que tem gente ainda me esperando!
Depois, quase sinto tudo fluir...  Sinto meu coração bater, sinto meu sangue morno correndo...
Mas em um intervalo de segundo volto a sentir só um vazio presente na alma...
Um grande buraco negro que devora tudo por dentro, uma falta de um “eu”, uma grande mistura de imagens que não fazem sentido.
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Perdido no tempo, no espaço...
Perdido em meus próprios pensamentos... dor ardente e nauseante...
Sem sentido, sem dia, sem noite, sem vontade, se motivo...
Sem ter pra onde ir, sem ter como voltar...
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A xícara se esvazia, assim como a mente.
A alma volta, as lagrimas cessam...
Tenho medo de ir deitar, dormi.
Sinto que aquela janela de lembranças vai voltar em meus sonhos não tão dócil como parecia ser.
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Enquanto os pensamentos lógicos reaparecem aos poucos, preparo outra xícara de café, e ponho-me a pensar como seria bom se a vida fosse infinita e que a dor e o sofrimento fossem mortais s ponto de serem misturados com açúcar engolidos com um simples gole de café.
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O que a gente não entende e talvez nunca vá entender
É que pessoas às vezes nascem faltando uma parte, e que parece egoísmo,
Mas às vezes quem morre precisa muito e foi embora porque não podia ficar...
Ficar nessa vida pequena e breve que esquenta, esfria, enche e esvazia como uma xícara de café.


*Poema atualizado. Foi o resultado de uma fusão de dois poemas.


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